A AMEAÇA B.E.T.A.
Fui convidada para investigar e elucidar um grande enigma: a Ameaça B.E.T.A (burling Exchange template appoiment), que consistia na perda de todo o histórico da humanidade!
Fui abduzida por visitantes de uma galáxia muito distante, que me levaram em uma viagem pelo espaço e pelo tempo. Foi então que eu descobri que o tempo não se perde, que nossas memórias e tudo que existe permanece em algum lugar. Um dia, o Carlos H Medeiros perguntou para onde vão os arquivos digitais que deletamos e eu obtive essa resposta em minha viagem.
Existem inúmeras galáxias e planetas e elas se formam a partir do tempo que já passou. O que estamos executando nesse exato momento não se apaga no tempo, esse esforço se transforma em partículas invisíveis que migram para os respectivos destinos. O dia de ontem, por exemplo, não está esquecido ou registrado somente aqui no nosso planeta. Ele está acontecendo em tempo real na galáxia “criada” para armazenar essa informação.
Da mesma forma, os arquivos que deletamos tem seu destino. Eles são apagados da memória do nosso computador, mas permanecem para sempre na galáxia da informática, para onde vão todas as partículas ionizadas de dados digitais.
Há equipes de trabalhadores nessas galáxias que “recolhem” as partículas elétricas que residirão naquele local.
Imaginei que as pessoas que me conduziram fossem cientistas dado o alto grau de inteligência e comprometimento: homens e mulheres de diferentes idades, diferentes etnias, credos, culturas, mobilidade física. Todos eram humanos normais como nós, mas o que os unia não era sua inteligência e sim, o avançado grau moral que os diferenciava. Sobretudo, o intenso e infinito amor pelos irmãos da raça humana e o respeito a toda a criação de Deus.
Eu aguardava ansiosamente o momento em que seria chamada à ação, porque não conseguia imaginar o que me traria ali. O meu companheiro complexo de inferioridade me compungia e me intimidava. Entretanto, todos me trataram com interesse e respeito e explicaram o motivo de eu estar ali.
Um homem inocente havia sido assassinado na porta da casa de enxaimel na qual eu morava quando era criança, porém, o fato aconteceu séculos antes de minha passagem pela Terra. A Ameaça Beta era uma doença letal desenvolvida em laboratório e pretendia ser espalhada por todas as galáxias. Uma vez injetada, a droga se expandia dentro do ser humano igual a poliuretano e, este, por sua vez, ainda não possui forma de ser reciclado. Não há nenhuma galáxia que absorva esse material, que é altamente tóxico para os outros mundos.
Toda a equipe que relatava os fatos para que eu pudesse compreender era enviada por Deus. O homem inocente não deveria ter falecido naquele episódio e os arcanjos estavam designando essa missão aos mais elevados seres humanos viventes.
Agora, o que eu fazia lá no meio daquele povo? Eu não sabia pilotar a máquina do tempo, e também já havia aprendido que nada se apaga como eu imaginava, não adiantava fugir.
Na verdade, eles buscavam um ser humano de coração puro, alguém que ainda não havia se corrompido com as injustiças do mundo, para procurar uma menina que teria o poder de eliminar para sempre a ameaça BETA. Teria ainda que procurar a Senhora dos Destinos, uma mulher celestial cujo poder havia sido incumbido pelo Soberano Criador para resgatar o histórico BETA.
Uma tontura inesperada tomou-me de supetão. Tudo aquilo não parecia fazer qualquer sentido. Procurar uma garotinha, encontrar uma poderosa senhora, salvar a humanidade da ameaça BETA, decididamente, aquilo não era para mim. Devo ter desmaiado.
Acordei imaginando que tivera um pesadelo e que estaria segura em minha casa, na rua Piritiba, no bairro Costa e Silva, em Joinville, Santa Catarina, Brasil, planeta Terra. E estava mesmo: só que sete séculos antes.
Falaram-me, para me convencer da missão da qual eu estava responsável, que eu tinha um importante aliado, que nunca falhava: meu coração. Ele saberia como encontrar a garotinha e daria pistas de como localizar a Senhora dos Destinos. Pois bem, não restava alternativa; ou eu topava, ou toda a minha vivência não iria parar “no espaço”.
Iniciei um exaustivo raciocínio (nunca fui boa em soluções lógicas). Beta... beta... beta... Tudo começa e termina no Alfa e no Ômega... Alfa... Ômega... Jesus! É isso! Ele é o Alfa e também o Ômega!
Anunciei para todos a minha conclusão e pedi que mantivessem silêncio enquanto eu tentava ouvir meu coração. As batidas compassadas e leves tinham perdido o ritmo e agora eram sonoras e desafiadoras, mas eu não conseguia compreender. Isso não vai dar certo, pensei. Mas insisti. Todo o planeta e todas as galáxias dependiam da cadência do meu coração!
Já sei! Precisamos localizar a península de Arrebos! Elas estão lá! E sabem que estamos a caminho.
Todos partiram e o comboio de naves interestelares acionou as turbinas e seguiram na velocidade da luz para o momento estratégico em que o assassinato foi cometido. O homem possuía um papiro com o antídoto da ameaça BETA, a doença letal. Precisávamos evitar que ele fosse ferido.
Aspirei o ar com sofreguidão e orei. A garotinha apareceu e sinalizou para que eu corresse em direção de um lago. Obedeci. A Senhora dos Destinos apareceu. Era uma mulher de aproximadamente 50 anos e... cega! Isso me surpreendeu deveras. Então ela tinha o poder para aniquilar a ameaça BETA mas não podia se curar?
“Os olhos não me fazem mais falta, querida”, ela explicou antes que eu pronunciasse qualquer vocábulo. Olhei envergonhada para ela. Como sempre, os meus julgamentos eram precipitados demais.
“O que devo fazer?” perguntei-lhe, colocando-me a disposição.
“Você veio. Acreditou. Mesmo que seu complexo de inferioridade insistisse que você não tem tamanha capacidade, você aceitou o desafio. E provou que ama a humanidade.”
As palavras causaram-me impacto tão profundo que eu ameacei chorar. Mas me mantive firme porque precisava presenciar o que iria acontecer. A Senhora dos Destinos e a garotinha seguiram para a península e ergueram seus braços na direção dos céus. Toda a água do mar da península se elevou e formou uma única bola. A um comando das duas envolvidas, a bola de água do mar explodiu em milhares de cristais de sal e se espalharam por todo o planeta. Naquele momento, eu soube o que fazer.
Vi a pick-up do homem que seria assassinado se aproximar. Quando ele ia desembarcar, ajuntei dezenas de placas de sal que haviam se formado a meus pés e lancei-as para toda a parte exterior do veículo. As placas de sal se transformaram em poliuretano transparente, semelhante a goma e sua superfície era impenetrável. Assim, os disparos dos assassinos não o atingiram.
Os meus companheiros das outras galáxias chamarem-me e eu embarquei sem demora na máquina do tempo. O histórico do mundo estava salvo.